Fazendo o meio de campo para o bem do meio ambiente


Campanha estimula o consumidor pernambucano a utilizar a lata de alumínio.

Ver o lixo com outros olhos. Entender seu potencial, tanto como instrumento de geração de emprego e renda, quanto na preservação de recursos naturais. E utilizar a Comunicação para difundir esta forma de pensar para sociedade. Assim pensa e trabalha Sérgio Nascimento, 40 anos, presidente da Associação Meio Ambiente, Preservar e Educar (Amape), do Recife, responsável pela campanha que está estimulando o consumidor pernambucano a utilizar a lata de alumínio para aumentar a renda dos catadores e reduzir o lixo urbano.

Ele tem o segundo grau e acalenta o sonho de fazer um curso de propaganda, porque "a Comunicação é o grande diferencial para fazer com que as pessoas revejam velhos conceitos e possam adquirir novos conceitos". O pernambucano Sérgio Nascimento utiliza integralmente o conceito de reciclagem no seu dia-a-dia, como "empreendedor social", estimulando as pessoas a dar aos resíduos sólidos um aspecto sustentável.


Em 1998, criou a Amape com um grupo de amigos. "Há muitos anos observei que as pessoas tinham dificuldade de entender a importância de separar o lixo da coleta seletiva. E na outra ponta, eu via os catadores vivendo em situação de risco absoluto. Investimos tempo, estudo e dinheiro para nos tornarmos profissionais que pudessem fazer esse meio de campo", conta.

Conseguiu, por exemplo, aproximar uma universidade de associações de catadores, utilizando o conhecimento acadêmico para implementar um sistema de coleta seletiva e organizar catadores que seriam beneficiados com os resíduos. A Amape criou também o eco-cesto, feito com tampas de refrigerante. Um produto visualmente interessante, utilizado justamente como cesto de coleta seletiva, gerando renda para artesãos.

Foi assim também quando observou o impacto causado pela sucata da lata de aço. "A gente observou que a renda do catador tinha caído e verificou que estava sendo difícil para ele entender o porquê da mudança. E vimos também o lixo acumulado nas ruas. Uma despesa para todos, porque a sociedade tem que pagar ao poder público para recolher as latas de aço, por possuírem baixo valor comercial".

ONG e prefeituras estimulam opção pela lata de alumínio

Uma campanha, iniciada no Recife e em Olinda, uniu a Amape, as duas prefeituras, o governo do Estado de Pernambuco, a Associação de Defesa do Consumidor e o Movimento Nacional dos Catadores. Cartazes espalhados em todos os 3 mil ônibus das duas cidades e nas estações de metrô da capital tentam estimular o consumidor a comprar latas de cerveja e refrigerante fabricadas com alumínio.

O principal estímulo poderia ser apenas o financeiro para os catadores, já que um quilo da lata de alumínio pode ser vendido por R$ 3, enquanto o da lata de aço vale apenas R$ 0,20. Mas o que uniu os parceiros foi a questão ambiental e o custo do recolhimento do lixo urbano. "Se o catador não recolhe a lata de aço, aquilo vira um lixo, uma despesa que vai ser paga pela própria sociedade", comenta Sérgio Nascimento, presidente da Amape. São toneladas de embalagens descartadas nas ruas, que acabam prejudicando o meio ambiente e até atrapalhando o turismo, atividade vital para cidades como Recife e Olinda.

Fonte: Abralatas

Autor: Abralatas

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