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07/08/2006 - Reciclar o lixo é
um imperativo
O
lixo de 30 anos atrás não é
o mesmo de hoje. Os produtos ganharam uma quantidade
muito maior de embalagens plásticas e metálicas.
Uma praticidade para os consumidores que não
foi pensada para a hora do descarte e acabou se
transformando na grande vilã ecológica
do planeta. No início da cadeia da reciclagem,
está o catador, como Seu Inácio Severino
da Silva, 71 anos. Às 4 horas da matina,
de domingo a domingo, ele já está
percorrendo as ruas do Recife, em lixeiras de condomínios,
recolhendo garrafas pet, latas, caixas de papelão
e tudo o que para as classes mais favorecidas financeiramente
é lixo. Para Seu Inácio, o nome do
lixo é outro: dinheiro.
Há dois anos, antes de se vincular a uma
das dezenas de associações de catadores
da Região Metropolitana do Recife, Seu Inácio
retirava em meio de alimentos estragados seu sustento
familiar. Com orientação e apoio da
Associação Meio Ambiente Preservar
e Educar (Amape), de Casa Amarela, ele agora sabe
o endereço certo para buscar o material reciclável:
condomínios residenciais que aplicaram a
coleta seletiva nos apartamentos. "A gente
anda menos e não suja as mãos. É
mais saudável assim", diz ele, que como
grande parte da população pobre do
país, tem na coleta de lixo a renda mensal
garantida. "Por mês consigo uma média
de R$ 170", diz o catador, ainda achando pouco
a remuneração e consciente da sua
importância no ciclo.
A realidade dos catadores é considerada pelos
educadores ambientais como o grande eixo de sensibilização
da sociedade. "Não dá para pensarmos
em pessoas da nossa família, nossas crianças,
retirando o sustento do lixão. Ninguém
gostaria de viver essa realidade, não é?",
questiona o presidente da Amape, Sérgio Nascimento.
Com parceiros como Luiz Carlos Correia, instrutor
de treinamento da associação fundada
em 1998, eles utilizam esse tipo de argumento nas
palestras que fazem em condomínios da zona
norte do Recife. Criaram o projeto Edifício
Ecológico, onde implantam os eco cestos nos
corredores das moradas verticais. Os cestos da Amape,
já patentiados, são produzidos artesanalmente
por comunidades de catadores, com tampas plásticas
de garrafas costuradas em fios de nylon. A renda
é revertida para a própria comunidade.
"O eco cesto é um dos instrumentos possíveis
para geração de trabalho e renda,
além de um produto de conscientização
ambiental", argumenta Luiz.
Sabe-se
bem a capacidade de transformação
de materiais recicláveis por indústrias.
Garrafas pet e embalagens longa vida viram telhas,
"madeiras" e outros materiais para construção
civil. Mas é no artesanato que a sociedade
consegue perceber, por enquanto, o maior retorno
do lixo reciclável. Nas comunidades atendidas
pela Amape, objetos decorativos como luminárias
são outra forma de renda. Pessoas como as
sócias da marca Pet vira Puf, Edilza Pereira
e Auta Moraes, usam a imaginação para
transformar garrafas pet em simpáticos e
confortáveis pufs. Bonecas e outros brinquedos
também são criados com tampas e papel.
Caixas de papelão e retalhos em chita, para
elas, são matérias-primas indispensáveis
para a confecção de caixinhas e baús.
O segredo de fazer os objetos, elas não guardam
só para elas. Aplicam oficinas em comunidades,
fazem parcerias em ONGs e repassam a quem perguntar
os princípios básicos de ser "ecologicamente
correto".
O
que separar?
(vidros,
metais, plásticos e papéis)
Garrafas e potes de vidro
Latas de bebidas e alimentos
Embalagens plásticas
Papel e papelão
Materiais
NÃO recicláveis
Lâmpadas
Guardanapos usados
Papel higiênico
Fraldas descartáveis
Isopor
Louças, porcelanas e cerâmicas
Carbonos
Esponjas
Cuidados
especiais
Não
Misturar alimentos nem outros dejetos com material
reciclável. É recomendável
passar água corrente nos materiais sujos.
Fonte:
Diário de
Pernambuco
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