BIODIESEL
MASSA PARA VIDRO
SABÃO

Esvazie sua lixeira sem agredir o meio ambiente
Iniciativa privada oferece coleta de materiais como óleo, pilhas e baterias

Júlia Kacowicz

Basta um litro de óleo para contaminar um milhão de litros de água. O cálculo pode até não ser inédito, mas continua sendo chocante e vem sendo repetido por entidades ambientais como maneira de sensibilizar a adoção de um comportamento ecologicamente correto. Há pouco tempo, era verdade que o consumidor não encontrava muitas alternativas para evitar que o óleo utilizado em frituras fosse despejado pelo ralo da pia. O mesmo acontecia com as pilhas e baterias que acabavam acumuladas em gavetas por não poder ir para o lixo comum diante de seus componentes poluentes e material reciclável. Mas isso mudou. Mesmo sem iniciativa do poder público, já é possível esvaziar o lixo de casa sem agredir o meio ambiente externo. Só falta a mudança individual de hábito.

Apesar de ainda serem de pequena escala, as iniciativas existentes em Pernambuco podem ser copiadas, aderidas ou adaptadas em vários locais. "O óleo tem muitas utilidades, indo da produção do biodiesel à de sabão ou de raçõesanimais, e algumas entidades já o aproveitam. Ele não deve ser jogado fora de forma incorreta para não ser desperdiçado nem poluir o meio ambiente", ressaltou o engenheiro civil e especialista em resíduos sólidos, Bertrand Alencar. Quando vai parar nos lixões ou em aterros, o óleo dificulta o tratamento e aumenta o nível de poluição. Quando dribla as tubulações e encontra os rios ou lençóis freáticos, o óleo contamina os recursos hídricos e coloca em risco a saúde da população.

Associação anuncia que vai comprar tampas de garrafas pet dos catadores que são usadas na confecção de grandes coletores de lixo reciclável.

Observando esse excesso, a empresa Bumerangue Reciclagem iniciou neste ano um projeto de coleta de óleo em residências e estabelecimentos comerciais. "Basta ligar e vamos buscar qualquer quantidade a partir de um litro de óleo", esclarece o proprietário Icaru Costa Serafim. Em cerca de dez meses de atuação, a empresa já possui 18 estabelecimentos cadastrados como parceiros e está discutindo a possibilidade de repassar o produto armazenado para uma empresa produtora de biodiesel de fora do estado. Outra iniciativa recente é a campanha Separe seu óleo de cozinha que foi lançada pela Associação Meio Ambiente, Preservar e Educar (Amape) e a empresa Saga Consultoria para coletar o óleo de residências e estabelecimentos.

A Amape ficou responsável pela mobilização de catadores, residências e estabelecimentos comerciais. Já a Saga, recolhe o produto na Amape, paga R$ 0,12 pelo litro e destina o óleo já depurado para indústrias que trabalham com sua matéria-prima. "O dinheiro arrecadado pelo óleo armazenado por estabelecimentos, como lanchonetes e restaurantes, ou por entregas individuais será encaminhado para a Amape que irá comprar tampas de garrafa PET dos catadores", disse o presidente da Amape, Sérgio Nascimento, esclarecendo que as tampas são utilizadas na confecção de grandes coletores de lixo reciclado. Já o catador que recolher o óleo de forma espontânea na coleta porta-a-porta recebe o pagamento de R$ 0,12 e o produto é repassado da Amape para a Saga.

"Dessa forma solucionamos o problema ambiental e contribuímos com o lado social do catador", disse Nascimento. A campanha, iniciada na semana passada, já possui um restaurante e dois condomínios cadastrados. O proprietário do Sushi Liberdade, em Casa Forte, José de Castro, disse que a campanha foi muito bem aceita. "Nós utilizamos muito óleo e tínhamos a intenção de agir corretamente, mas não sabíamos como. Agora não precisamos de culpa", disse. Em um ano de coleta em pontos comerciais do estado, a Saga recolheu 24 mil litros de óleo que deixaram os ralos e se transformaram em ração e massa para vidro.


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