EMBALAGEM
Lata de bebida agora é de aço
Publicado em 06.05.2007
Empresas estão trocando a matéria-prima
da latinha para reduzir custos. Mas o aço tem
índice de reciclagem inferior ao do alumínio
ADRIANA
GUARDA
Para o consumidor pode passar despercebido, mas as
prosaicas latas de refrigerante e cerveja que estamos
acostumados a comprar estão mudando de matéria-prima.
No Grande Recife, as latas de alumínio –
que até pouco tempo dominavam o mercado –
já foram desbancadas pelas de aço. Num
momento em que se discute, exaustivamente, aquecimento
global e desenvolvimento sustentável, a troca
parece um retrocesso. Apesar de a embalagem de aço
também ser reciclável, tem um índice
inferior a do alumínio e menor atrativo de
renda para os catadores, que atuam como agentes ambientais,
evitando que as latas fiquem na natureza.
Durante
o Carnaval, era possível ver um mar de latas
de aço pelas ruas. Se elas fossem de alumínio,
certamente seriam rapidamente apanhadas pelos catadores.
O presidente da Cooperativa Pró-Recife, José
Cardoso, explica que a diferença está
principalmente em dois fatores. “Além
de mais pesadas, o que dificulta o transporte, as
latas de aço têm menor valor comercial.
Enquanto vendemos o quilo do alumínio por cerca
de R$ 2,50, o valor do aço não ultrapassa
R$ 0,28”, compara.
Recentemente,
a Associação Meio Ambiente, Preservar
e Educar (Amape) e o Movimento Nacional de Catadores
realizaram campanha para incentivar os consumidores
a evitar as latas de aço e comprar as de alumínio.
A dificuldade é que nem sempre isso é
possível, porque algumas empresas aderiram
ao aço e o consumidor não vai deixar
de tomar o seu refrigerante preferido por conta da
embalagem. Uma opção é substituir
a lata por vidro ou PET.
O
diretor de Desenvolvimento Organizacional da Rexam
– fabricante de latas e tampas de alumínio
–, José Roberto Baeninger, diz que dentre
as dificuldades enfrentadas pelo setor estão
o preço da matéria-prima e a dificuldade
de importação. “Mesmo assim conseguimos
ampliar em 10% nossa produção em 2006”,
observa. A Rexam, que tem fábrica no Cabo,
aposta em novos segmentos e em inovação
para não perder espaço para o aço.
Na lista dos setores cobiçados estão
chás, sucos, água de coco e até
vinhos – hoje já difundido na Argentina.
Outra aposta é na mudança de formatos,
com latas como as do Red Bull, ou embalagens versáteis,
como a pequena de 250 ml e a gigante de 473 ml.
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