Revista JC

ONGs ajudam a reeducar população
Publicado em 06.11.2005


Atitudes como separar o lixo e economizar água podem muito bem tornar-se um hábito. Basta que sejamos reeducados para isso. E é o que fazem diversas ONGs e instituições da cidade. Seus integrantes acabam por levar o trabalho para casa e disseminar o hábito entre familiares e amigos.
A vendedora Giselda Alves da Silva, 49 anos, costuma dizer aos filhos em casa que a água do planeta está acabando. “Oriento meus filhos a sempre verificar se a torneira está bem fechada.” Os conselhos se estendem ainda ao ambiente de trabalho, o Centro Alternativo de Saúde da Muribeca (Cemac), onde ela cultiva hortaliças e plantas medicinais. “Reaproveitamos as cascas como adubo natural e vendemos em comunidades e feiras. Temos a consciência de que tudo natural é melhor, pois química prejudica a nossa saúde”, diz.

“Faço coleta seletiva no meu bairro e na minha casa”, diz a catadora Maria Helena da Silva Santos, 34, do Movimento Nacional dos Catadores, que por sua vez integra um programa da Associação Meio Ambiente Preservar e Educar (Amape), aliando preservação ambiental e social desenvolvendo um processo de inclusão social envolvendo escolas, instituições, empresas, catadores de lixo e desempregados. “Empregamos pessoas que fazem os cestos de coleta com tampinhas de garrafa que compramos dos catadores de lixo. Os cestos são colocados nas escolas e empresas e o lixo recolhido é entregue a um catador da comunidade, indicado pelo Movimento Nacional dos Catadores. Dessa forma cria-se um ciclo virtuoso”, explica o presidente da Amape, Sérgio Nascimento.

Segundo ele, o programa alcança outras pessoas através do aluno da escola, que chega em casa e passa o que aprendeu para sua família. “A divulgação do programa à base do boca-a-boca é mais eficiente porque as pessoas estão diretamente envolvidas”, diz Nascimento.

Manuel Belarmindo trabalha na Associação dos Trapeiros de Emaús, uma ONG que faz coleta de lixo reciclável e reutilizável e realiza bazar todas as segundas-feiras na sede da instituição. “Quando vejo cano estourado ou acúmulo de lixo nas canaletas, telefono para os órgãos responsáveis”, conta.

A Associação Pernambucana de Defesa da Natureza (Aspan) trabalha com comunidades carentes abordando os problemas ambientais urbanos e realiza, entre outras atividades, a Feira dos 3Rs (redução, reutilização e reciclagem) com o objetivo de chamar a atenção para a inadequada destinação do lixo, além dos riscos aos meio ambiente. Durante o evento, são expostos trabalhos feitos com materiais reciclados e reutilizados, como garrafas pet, couro, vidro, cerâmica, escama de peixe, metal, papel e papelão. “Abordamos problemas ambientais urbanos como uma forma de gerenciar os resíduos sólidos”, diz a pedagoga da Aspan, Ana Cláudia Muniz, que conseguiu sensibilizar seus vizinhos e seu prédio passou a fazer coleta seletiva.J

Serviço

Amape – 3268-7984/ Aspan – 3222-2038

 

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