Na
RMR não há aterros com condições de receber esse tipo de material,
que é jogado em lixões, comprometendo o meio ambiente
Uma das principais dúvidas da população em relação ao descarte
do lixo é onde colocar pilhas comuns e alcalinas utilizadas
em rádios, lanternas, controles remotos, máquinas fotográficas
e brinquedos. No Recife e Região Metropolitana não há locais
adequados para depositar esse tipo de resíduo, altamente tóxico.
O problema já vem acontecendo há alguns anos, desde que fabricantes,
revendedores e distribuidores deixaram de receber o produto
usado. Resultado: as pilhas estão indo para os lixões, contaminando
o meio ambiente e oferecendo riscos à saúde da população.
De
acordo com as Resoluções 257/99 e 263/99 do Conselho Nacional
do Meio Ambiente (Conama), desde 2001, os fabricantes passaram
a cumprir normas que limitam a quantidade de componentes
químicos na fabricação das pilhas. Com isso, o produto pode
ser descartado pela população no lixo domiciliar que, por
sua vez, tem como destino final o aterro sanitário.
Como
no Grande Recife, não há um local devidamente preparado
para receber e tratar esse tipo de resíduo, a orientação
da Diretoria de Limpeza Urbana do Recife (Emlurb) é de que
as pilhas continuem sendo entregues aos fabricantes ou revendedores.
Mas apoiados pelas resoluções do Conama, nenhum desses estabelecimentos
recebe mais o produto. “Separo todo o meu lixo, contudo
não sei o que fazer com as pilhas. Já procurei a Empresa
de Limpeza Urbana, mas continuei sem saber onde descartá-las”,
declara o músico Gabriel Furtado. O diretor de Limpeza Urbana
do Recife, Carlos Muniz, diz que está sendo feito um estudo
para elaboração de uma minuta que propõe a criação de uma
legislação que seja compatível com a resolução do Conama
e a realidade do município.
“As
prefeituras têm é que acelerar a construção dos aterros
sanitários. Em Pernambuco só temos 12 aterros licenciados,
todos no interior”, alerta Geraldo Miranda, diretor de Controle
Ambiental da Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos
Hídricos (CPRH). Segundo Miranda, as pilhas contêm metais
pesados como mercúrio, cádmio e chumbo que são bioacumulativos
e podem causar danos ambientais e problemas de saúde na
população, como doenças no fígado, rins, pulmões e sistema
nervoso central.
“Essa
resolução do Conama foi um grande equívoco. É um absurdo
aceitar que esses materiais altamente tóxicos sejam descartados
junto ao lixo domiciliar”, opina o coordenador da Associação
Meio Ambiente Preservar e Educar (Amape), Sérgio Nascimento.
A assessora Técnica do Conama, Ruth Tabaczenski, explica
que as resoluções estão causando polêmica em todo o País
e, por isso, vêm sendo rediscutidas na Câmara Técnica de
Assuntos Jurídicos do Conselho. Já a secretária-Executiva
de Meio Ambiente do Estado, Alexandrina Sobreiro, adiantou
que levará o problema para a reunião extraordinária do Conselho
Estadual do Meio Ambiente (Consema), que acontece em agosto.
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