.Ciência & Meio Ambiente

RESÍDUOS SÓLIDOS
Prédios adotam sistema para reciclagem de lixo
Publicado em 21.05.2006


Mais de 30 condomínios do Recife estão fazendo seleção de material. Idéia do Edifício Ecológico surgiu a partir de parceria entre ONG que trabalha com catadores e um urbanista

RODRIGO COUTINHO
A verticalização do Grande Recife inspirou um projeto ambiental que começa a dar resultado. Chamado de Edifício Ecológico, ele consiste em implantar um sistema de coleta seletiva de materiais recicláveis em condomínios comerciais e residenciais da cidade. A seleção, porém, é feita pelo condômino. Até agora, mais de 30 prédios adotaram a proposta.

A iniciativa surgiu da união entre a Associação Meio Ambiente, Preservar e Educar (Amape), ONG que atua em bairros da Zona Norte do Recife com cadastramento e orientação de catadores de recicláveis, e o antropólogo e urbanista americano Mark Burr, que usou a idéia como tema de mestrado em Planejamento Urbano, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Considerado simples pelos idealizadores, a idéia requer a adesão de boa parte dos moradores do prédio. “Basta cada morador separar o que produz. Lixo orgânico de um lado, lixo seco de outro. Nem é preciso fazer a seleção de papel, plástico e vidro, por exemplo. Essa é feita pelo catador”, resume o presidente da Amape, Sérgio Nascimento.

“Antes, nós fazemos um trabalho de conscientização entre os moradores e funcionários do prédio, revelando sua importância social e ambiental”, completa Mark Burr. A associação também disponibiliza depósitos de lixo e sinalização, caso o edifício precise.

“É um projeto muito bem aceito onde chega. Começamos com um edifício na Madalena, Zona Oeste do Recife, e já estamos passando dos 30 prédios nesses quatro anos”, conta Sérgio. Segundo ele, qualquer grande cidade tem as condições para implantar o projeto. “Para dar certo, é preciso ter um edifício que produza lixo e um catador. Qual a cidade que não tem isso?”, comenta Sérgio.

Outra característica que facilita a adesão é que não há limite de apartamentos por condomínio. “Temos, na nossa lista, um condomínio de seis apartamentos, nas Graças, e outro, de 40 andares e 80 apartamentos, em Casa Forte. Isso mostra que o número não é importante”, revela o presidente da Amape.

POTENCIAL – Para Mark Burr, o Edifício Ecológico deve beneficiar mais prédios. “O Recife tem cerca de 4 mil prédios e mais de 5 mil catadores. Ainda podemos explorar mais esse potencial da cidade. Isso vai melhorar a coleta seletiva e ainda gerar renda para essa população”, declara.

O americano critica o recolhimento de material reciclável realizado pela Prefeitura do Recife. “Eles fazem uma coleta simbólica e não-sustentável do lixo reciclável.”

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