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MEIO AMBIENTE
Coleta seletiva de lixo é liberada de licitação
Publicado em 26.04.2008
Mudança feita pelo governo federal na Lei de Licitação
vai beneficiar catadores e cooperativas, que poderão
recolher o material reciclável. Medida atende pleito
do movimento nacional da categoria
As
prefeituras municipais poderão contratar catadores
para fazer a coleta seletiva das cidades. A participação
da categoria será possível graças a uma
alteração realizada pelo governo federal na
Lei de Licitação (nº 8.666), que dispensa
a necessidade de processo licitatório para beneficiar
as associações e cooperativas de catadores.
A decisão é um pleito antigo do Movimento Nacional
de Catadores.
“A necessidade de licitação só
permitia que grandes empresas participassem da disputa para
realizar a coleta seletiva das prefeituras. Agora a legislação
abre uma oportunidade que pode tirar os catadores da exclusão
e diminuir o preconceito em torno da atividade”, defende
o presidente da Associação Meio Ambiente Preservar
e Educar (Amape), Sérgio Nascimento.
Na
avaliação do presidente da Cooperativa Pró-Recife,
José Cardoso, a mudança na legislação
representa um avanço social. “Isso sempre foi
um pedido nosso junto ao governo Federal. Até porque
algumas cidades, a exemplo de Diadema (SP), já utilizam
a mão-de-obra do catador”, observa. Ele também
destaca que, recentemente, o Ministério do Desenvolvimento
Social aprovou recurso de R$ 5 milhões para a criação
e a ampliação de associações e
cooperativas na Região Metropolitana do Recife (Recife,
Olinda, Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e Jaboatão).
Os recursos serão liberados a fundo perdido.
“Vamos
reunir a comissão estadual de catadores para começar
a procurar as prefeituras para conversar sobre a possibilidade
de contratação na coleta seletiva e para definir
onde podem ser instalados galpões para a criação
de novas associações e cooperativas”,
diz Cardoso. De acordo com o Movimento Nacional de Catadores,
a estimativa é que existam até 8 mil pessoas
trabalhando na atividade em Pernambuco, sendo 5 mil só
no Grande Recife.
O
gerente de Coleta Seletiva da Prefeitura do Recife, André
Pena, acredita que a mudança na legislação
ainda deve demorar para ser executada. “É uma
reivindicação justa e um momento importante
para os catadores, mas é preciso lembrar que a coleta
é um serviço público de grande responsabilidade
e que não pode falhar, porque a população
paga impostos”, assinala, dizendo que ainda é
muito pequeno o número de catadores organizados.
“A
coleta seletiva ainda é recente no Brasil. Para se
ter uma idéia, dos mais de 5 mil municípios
brasileiros, apenas 405 prestam esse tipo de serviço”,
compara. Hoje, a coleta na PCR é realizada pela empresa
Qualix. O contrato acaba no final desse ano.
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