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SUSTENTABILIDADE
Reciclagem gera muitos lucros
Publicado em 29.07.2007
Empresas brasileiras investem em maquinários como prensas,
balanças e coletores para tratar de seus resíduos.
Siderúrgica lucrou R$ 224 mi reciclando
Mariana
D’Emery
msiqueira@jc.com.br
Na
era do desenvolvimento sustentável muitas indústrias
investem na ecoeficiência como modelo de preocupação
ambiental. Um gesto nobre que é movido pelo interesse
financeiro. Prevendo altos faturamentos, empresas brasileiras
investem em maquinários (prensas, balanças e
coletores) para tratamento dos resíduos produzidos.
Para a pesquisadora da UFRJ, Araceli Ferreira, investimentos
ambientais rendem menos do que a venda do lixo reaproveitável.
Ela dá como exemplo um grupo de siderúrgicas
que lucrou, em 2004, R$ 224 milhões com a venda de
resíduos para reciclagem.
Com
um aproveitamento, em 2006, de 98,% dos subprodutos da fábrica
instalada no Cabo de Santo Agostinho, a Companhia de Bebida
das Américas (Ambev), não compra materiais de
cooperativas de catadores de lixo. Em contrapartida, todos
os materiais passíveis de reciclagem, de acordo com
informações da assessoria de imprensa, são
separados e vendidos para parceiros da empresa em diversos
setores.
O
bagaço de malte utilizado na dieta do gado leiteiro
e na piscicultura é um exemplo de investimento na receita
adicional – redução de despesas com os
resíduos sólidos e com a venda de material reaproveitável
– da companhia. O material é processado e vendido
para fazendas, sendo utilizado como ração animal.
Já os plásticos residuais são negociados
com cooperativas interessadas em reciclar.
O
envio de quantidades mínimas de materiais encaminhados
para aterros industriais é resultado de uma gestão
ecoeficiente que rendeu, somente no ano passado, um adicional
de R$ 59,3 milhões para a Ambev. A experiência
da companhia a levou a introduzir, há menos de um mês,
no Cabo, o Projeto Coleta Seletiva Diferenciada. O objetivo
é expandir para as residências o hábito
de reciclagem de lixo.
Pioneira
na implantação da 1ª usina de reciclagem
de plasma do mundo, que está instalada no País,
a Tetra Pak investiu R$ 14 milhões na planta industrial.
A unidade, com capacidade de reciclar oito mil toneladas por
ano, permite separar o alumínio do plástico
nas embalagens de longa vida pós-consumo. Executivos
da empresa calculam que o investimento vai incrementar em
até 30% o valor pago pelas embalagens aos catadores.
Em
2006, quase 100% do material produzido pela Tetra Pak foi
reciclado, enquanto 8% foi destinado para tratamento e 1,5%
enviado para aterros sanitários.
RECICLAGEM
Os
investimentos empresariais no meio ambiente geram conflitos
silenciosos. Na briga pelo lixo industrial preparado para
reciclagem, pequenas cooperativas de catadores digladiam com
empresas especializadas em reformar os resíduos sólidos.
Sérgio Nascimento, presidente da Associação
Meio Ambiente Preservar e Educar (Amape) denuncia que os lixos
são enviados para outras grandes indústrias.
“A embalagem e outros resíduos devem ser instrumentos
de desenvolvimento.”
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