Luta
contra o lixo de aço
RECICLAGEM
// Campanha incentivará consumo de bebidas em
latas de alumínio
JÚLIA KACOWICZ
DA EQUIPE DO DIARIO
O
quilo de uma custa R$ 3. O da outra, R$ 0,20. A primeira
é procurada nas ruas com ansiedade pelos catadores,
especialmente após grandes festividades públicas.
A segunda só é recolhida quando não
há outra opção. Diante desse quadro,
as latas de alumínio tornaram-se raridade nas
associações e cooperativas de catadores
e as de aço passaram a ser consideradas entulho
até mesmo por aqueles que atuam de forma fundamental
no processo de reciclagem. Reverter esse quadro é
a meta de uma campanha que começa a ser encampada
pela Associação Meio Ambiente, Preservar
e Educar (Amape) com o apoio das prefeituras do Recife,
Olinda e do Movimento Nacional dos Catadores.
A
motivação para a ação, esclareceu
o presidente da Amape, Sérgio Nascimento, surgiu
com a proximidade do Carnaval. "O consumo das latas
de bebida nesse período se multiplica, tornando-se
uma grande possibilidade de incremento de renda para
os catadores. Além disso, podem-se tornar um
grave problema ambiental se não forem coletadas",
afirmou. Com a campanha, que terá seu funcionamento
definido ao longo dessa semana, o idealizador do projeto
objetiva aumentar o consumo de latas de alumínio
em contrapartida às latas de aço, considerando
a diferença significativa no valor de cada uma.
"Se
o consumidor tiver conhecimento do processo de reciclagem
e dos benefícios sociais e ambientais que acompanham
o procedimento, ele poderá optar de forma consciente
pelo seu produto". Segundo Nascimento, a iniciativa
surgiu das informações repassadas pelos
catadores de que a oferta de latas de alumínio
sofrem uma queda. Uma das propostas da campanha é
de que a indicação do material seja exposta
de forma clara para o consumidor. "A observação
mais simples é de que as latas de aço
são mais opacas e as de alumínio mais
brilhantes, mas o símbolo pode ser melhor exposto",
disse.
O
presidente estadual do Movimento Nacional dos Catadores,
José Cardoso, destacou que essa situação
é mais crítica no Nordeste. "O alumínio
chegou a predominar, mas todas as indústrias
voltaram a concentrar seus produtos em latas de aço.
No Sul é diferente". De acordo com o Instituto
Brasileiro de Siderurgia, as de aço representam
8% das embalagens metálicas para bebidas no país
com maior participação de mercado no Nordeste
(51%).
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